Os Boletos CNR (Cobrança Não Registrada) deixarão de existir no final deste ano de 2016 .
A medida está de acordo com o cronograma estabelecido pela Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN).

Existem várias razões para esta alteração, bem como várias consequências decorrentes dela.

Uma das propostas dessa alteração é reduzir prejuízos com fraudes de boleto, um tipo de atividade criminosa bastante comum e para a qual os boletos sem registro são muito vulneráveis.

As datas estabelecidas para cada etapa deste projeto são:
Junho/2015 : Cessar a oferta da Cobrança sem Registro para novos entrantes e clientes atuais da cobrança.

Agosto/2015 : Início da operação da base centralizada de beneficiários (inserção, manutenção e consulta)

Dezembro/2016 : Término da migração de carteiras de Cobrança sem Registro para modalidade registrada.

Janeiro/2017: Início da operação da base centralizada de títulos, com validação interbancária no momento da liquidação.

Devido à este cronograma, desde Julho de 2015 os bancos já não permitem a abertura de novos contratos de boleto não registrado. Até Dezembro de 2016, todas as contas dessa modalidade terão sido migradas para o formato de boleto registrado.


Como funcionam esses dois formatos de Boleto Bancário? 

A principal diferença está no fato de que o boleto sem registro não possui validade enquanto não for pago. É uma guia virtual existente apenas para o solicitante, por exemplo, o cliente de um e-commerce. Ele existe somente no computador dele e é totalmente desconhecida pelo banco, por isso, não há cobrança de taxas bancárias caso o boleto não seja pago. 

Já no caso dos boletos registrados, os bancos recebem um arquivo de remessa contendo os dados do boleto no momento em que ele é gerado. Sendo assim, o boleto registrado é conhecido pelo banco, e caso não seja pago, ficará pendente até que haja alguma manifestação à respeito, como em caso de desistência de compra. Dessa forma, o cliente do banco é taxado durante a geração do boleto, mesmo que o cliente final desista da compra, e taxado também para declarar essa desistência e finalizar o boleto.

Quem será afetado, e como ? 

Os ramos afetados pela mudança serão muitos, mas quem sentirá mais impacto direto em seus orçamentos e modelos organizacionais são os e-commerces . Isso porque o índice de desistência de compra é muito grande em lojas virtuais. 

Imagine que um cliente de uma loja virtual solicitou um produto, para o qual ele não tem necessidade, por impulso, causado por algum desconto promocional. Agendou o boleto para o dia seguinte. Até lá, o grande desejo pelo produto certamente terá esfriado, ao ponto dele talvez até se esquecer de que fez a compra. Nessas situações, ele simplesmente deixa de pagar o boleto.

Sob o modelo de boletos sem registro, a única consequência dessa atitude para o dono do e-commerce é que ele dá baixa no produto do estoque quando a compra é solicitada e, caso o boleto não seja pago, basta retorná-lo. 

Sob o modelo de boletos registrados, porém, o e-commerce será taxado assim que o boleto for gerado, independente do cliente que o cliente fizer em seguida. Caso ele desista e o boleto esteja vencido, o cliente ainda pagará uma taxa para cancelar aquele boleto, do contrário, este ficará em aberto e gerará novas taxas mensalmente.