Há algumas semanas pesquisava o valor de um produto através de um e-commerce tradicional brasileiro, e um fato me despertou a atenção: no carrinho de compras da loja, ao consultar o prazo de entrega inserindo o CEP, o site apresentou o valor do produto como "X" e o valor cobrado pelo frete era praticamente o valor "X" em sua totalidade, centavos de diferença. Embora o produto estivesse "em oferta", me passou pela mente até quando a oferta era realmente válida, justamente pelo valor do frete.

Este é um cenário que faz parte da rotina de milhares de brasileiros. Torna presente aquela sensação das duas faces da moeda no Brasil: um país que apresenta muitas oportunidades, ao mesmo tempo que dispõe de grandes desafios para empresas que buscam empreender e, em consequência, para o próprio consumidor final. Seja por sua dimensão continental e a infraestrutura que impactam diretamente em toda a cadeia de suprimentos, ou pelo pesado sistema tributário, complexo e oneroso, que torna cada vez mais complicada a vida das empresas.

Tais fatos, entretanto, não retiram a responsabilidade das organizações de sempre buscarem ampliar a visão de seus profissionais com o conhecimento, assim como a busca pela melhoria contínua nas estratégias e operações que desempenham todos os dias. Isto obviamente não somente impacta na lucratividade das empresas, principalmente no segmento varejista, mas na própria imagem da empresa perante o mercado. Uma cadeia de suprimentos que funcione com perfeição contribui para resultados diretos na companhia.

Esta situação me fez relembrar de um artigo produzido no final de 2013 e apresentado no Portal Administradores, informando que os custos com logística, somados aos gastos com a aquisição de produtos, correspondiam a “75% dos dispêndios totais de uma empresa”. Outros dados importantes também são apresentados como possíveis resultados à serem obtidos na melhoria da logística para a cadeia de suprimentos, como: redução de custos logísticos em até 25% com estratégias mais eficientes; melhoria no lead time de 15% a 30%, e retorno do capital empregado (ROCE), entre 30% e 40%. Ou seja, variações dentro do universo de Supply Chain impactam diretamente e significativamente nos negócios (estamos abordando especificamente o segmento B2C, mas obviamente o impacto também ocorre dentro da esfera B2B em larga escala).

Neste sentido, obter maior vantagem competitiva, reduzindo os custos e impactos diretamente absorvidos pelas empresas e pelo consumidor final, faz com que a logística ocupe cada vez mais um posicionamento estratégico dentro das empresas, e não apenas uma ação operacional, como era percebida em outros tempos. No cenário econômico globalizado, ela passa a ser fundamental para respostas mais eficazes e criação de novas oportunidades.