Uma visão muito interessante do senhor Milton Lourenço* , publicada no portal Portogente na última semana, chamou a atenção para o crescimento competitivo dos portos da região norte do país, que pode ocorrer nos próximos anos.

Segundo Lourenço, com a entrada em funcionamento do novo Canal do Panamá em 2016, e a conclusão de suas obras de alargamento e aprofundamento, os portos do Norte brasileiro passarão a ter mais competitividade do que os portos do Sul e do Sudeste. Além das reformas para adaptação à demanda atual, o percurso para o norte conta com o asfaltamento do trecho final da BR-163, entre Mato Grosso e o Pará, cuja conclusão está prevista para 2015.

Na conclusão das obras, não haverá mais sentido em se trazer a carga do agronegócio do Centro-Oeste para os portos de Santos, Paranaguá e Rio Grande, conforme observado. Contudo, no cenário atual do Brasil, somente o asfaltamento não é suficiente para os problemas exemplificados no artigo.

Atualmente os portos acabam funcionando como um centro de estocagem, gerando sérios problemas logísticos, prejudicando outros segmentos que se utilizam dos serviços portuários. Em comparação com os Estados Unidos, que possui uma infraestrutura para armazenagem de quase o dobro do produzido e a Argentina, que chega a 120% da produção em capacidade, o Brasil armazena apenas com 30% do que é produzido, transformando os caminhões em verdadeiros silos e a infraestrutura utilizada numa espécie de backup logístico para as operações.

Isso gera um agravante: “Como nunca se sentiu capaz de equacionar esse problema, o governo federal se opôs à ideia da Prefeitura e da Câmara de Santos de transferir a operação de granéis do bairro da Ponta da Praia para a área continental do município, provavelmente porque entende que o País ainda escoará a sua produção de grãos e açúcar pelo porto santista por mais alguns anos. E que não seria vantajoso investir em novos terminais que logo estariam condenados à desativação”, cita Lourenço.

Como resultado desta situação e do esvaziamento da gestão local do porto, ditado pela nova Lei dos Portos (nº 12.815/13), o Tribunal de Contas da União bloqueou editais de licitação de renovação ou novos arrendamentos desses terminais graneleiros, esperando um melhor entendimento perante os fatos. Ao observar a infraestrutura urbana, o uso excessivo da mesma torna-se uma rotina e os moradores sofrem, também, com os efeitos da poluição ocasionada.

Enfim, se já contássemos com o trecho da BR-163 finalizado e uma estrutura adequada para o peso das carretas, muitas melhorias poderiam ser vislumbradas e o escoamento da safra pelos canais atuais já seria uma questão passada, conclui o artigo.

 

Fonte: Portal Portogente.

 

*Milton Lourenço: Presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC).